Escrevo. E pronto.

09/01/2012

 

FUNAI DIZ QUE MORTE DE ÍNDIO É BOATO INFUNDADO

A Coordenação Regional da Funai em Imperatriz liberou, no início da noite de hoje (09), uma “Nota de esclarecimento” com os resultados da visita da comissão que foi investigar a denúncia do possível assassinato de uma criança indígena da etnia Awá-Gwará em Arame-MA. O relatório conclui que a denúncia “não passou de um boato infundado, uma mentira” e que nunca houve corpo carbonizado, nem filmagem. A visita, iniciada na sexta e finalizada somente no domingo, concluiu também que os Awás continuam circulando na terra indígena Araribóia.

 

A fonte principal ouvida pelos servidores da Funai foi o índio Clóvis Guajajara, citado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) como um dos autores da denúncia ao órgão. Segundo o indígena, tudo realmente não passou de um boato. O relatório não esclarece, entretanto, se o índio realmente fez as denúncias, equivocadamente, ao CIMI ou a jornalistas, no início de novembro. Também não fica claro se a comissão chegou a visitar o local do acampamento onde estaria o grupo awá-gwajá.

 

Durante a visita, a comissão flagrou um caminhão madeireiro que seguia para abastecimento dentro da área Araribóia. O caminhão era dirigido por um indígena já reincidente na retirada ilegal de madeira, que relatou que a madeira a ser retirada “teria como destino as serrarias do senhor Miguel e do senhor Paulo no município de Grajaú-MA”.

 

Dado o adiantado da hora, não foi possível ouvir o CIMI sobre a nota da Funai.

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Por Lissandra Leite, jornalista

 


Escrito por Lissandra às 23h24
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21/04/2011

Heróis de verdade?

Não sei vocês, mas eu nunca me resolvi bem quanto a essa coisa de "heróis". Não me refiro àqueles cheios de super poderes, que fazem o planeta girar ao contrário ou são chamados por um sinal no céu quando a coisa aperta. Falo dos heróis de verdade, aqueles que existiram e, de alguma forma, ainda servem de inspiração para grandes causas. Quando era adolescente, me zangava todo 21 de abril, quando festejávamos aquele que parecia ser o único herói nacional: Tiradentes. Aquela figura de cabelos compridos e uma corda no pescoço do meu livro de história me perseguia. Não era herói que se apresentasse pra um povo.

Pensava em Tiradentes e morria de inveja de países que tinham heróis de uma categoria que me parecia muito digna: os libertadores! Joana d'Arc, Anita Garibaldi, Simon Bolivar e José San Marti, Che Guevara... Tirandentes foi enforcado pelo seu envolvimento na Inconfidência Mineira, um movimento de independência, eu sei... Mas esses movimentos nunca me conquistaram - não eram povos buscando libertação, eram elites querendo deixar de ser exploradas por outras elites, para melhor explorar as outras classes em seu próprio país. Que não me entendam mal: todos os movimentos neste rumo foram importantes, mas democracia, liberdade, igualdade são muito maiores que interesses econômicos.

Com o passar do tempo, passei a desacreditar das revoluções armadas e me interessei por outra categoria de heróis: a dos pacifistas. Tem coisa mais bela que Mahatma Gandhi como herói? Sorte da Índia. Tempos depois também incorporei Nelson Mandela à minha lista de representantes heróicos. O cara estava prestes a comandar uma revolução armada quando o cárcere fez amadurecer uma nova idéia: a da reconciliação. Amo profundamente a lição que estes dois senhores legaram ao mundo.

E nós, com Tiradentes...

Oficialmente, o Brasil tem 20 heróis nacionais reconhecidos por lei, dos quais a metade já tem seu nome inscrito no Livro de Aço ou Livro dos Heróis da Pátria. É, pessoas, nós temos esse livro, literalmente de aço, onde são gravados o nome e a biografia do bravo brasileiro homenageado. Eu nunca vi, mas dizem que ele fica no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O Panteão é uma obra de Niemeyer tombada pelo Iphan - acho que vale uma visitinha na próxima visita à capital do país.

Dos que já têm seus nomes inscritos no livro. apenas dois não são militares: Zumbi dos Palmares e Santos Dumont. Além de Tiradentes, fazem parte da lista o Marcehal Deodoro da Fonseca, pela Proclamação da República; Dom Pedro I, pela Independência; Plácido de Castro, o "Libertador do Acre"; Joaquim Marques Lisboa, o "Marquês de Tamandaré", patrono da Marinha de Guerra do Brasil; o português Francisco Manuel Barrososo da Silva, o "Barão do Amazonas", que comandou a esquadra brasileira na Batalha de Riachuelo, contra o Paraguai; José Bonifácio de Andrade e Silva, o "Patriarca da Independência" e Luís Alves de Lima e Silva, o "Duque de Caxias".

É interessante dizer que Zumbi foi o segundo a ser oficialmente considerado herói nacional, em 1997 - cinco anos depois de Tiradentes. Líder da luta dos povos negros escravizados no Brasil, Zumbi foi reconhecido como héroi, na verdade, em função da forte reivindicação de movimentos sociais, diferentemente dos outros, "reconhecidos naturalmente" por seus feitos militares. Feliz por Zumbi, mesmo assim não fiquei satisfeita: apesar da sua luta ser de importância impossível de explicar neste humilde textinho, não era exatamente a luta de libertação de "um país" que sempre me fascinava. Mas era o mais próximo que tínhamos chegado de um verdadeiro herói popular, um símbolo de resistência.

Dentre os que já são heróis e ainda não foram gravados no livro, mais militares (Manoel Luís Osório, monarquista patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro e Antônio de Sampaio, também herói da guerra contra o Paraguai), e políticos (Getúlio Vargas e Ildefonso Pereira, o maior exportador de erva-mate do Paraná e mártir da Revolução Federalista), e padres (José de Anchieta e Frei Caneca). Mas há algumas surpresas, como o índio guerreiro guarani Sepé Tiaraju, considerado um santo popular; Hipólito da Costa, jornalista criador do Correio Braziliense, primeiro jornal brasileiro e a primeira e única heroina brasileira: a enfermeira Ana Néri. O último desse grupo é o seringueiro Chico Mendes, assassinado em 88. Apesar de seu reconhecimento ter sido aprovado por lei em 2004, a lei que instituiu o Livro de Aço diz que os homenageados só podem ser inseridos no mínimo 50 anos depois da sua morte. Sabe-se lá no que vai dar.

De qualquer forma, esse já é um grupo de heróis mais interessante, não é?

Na fila de espera, com projetos de leis, uma penca de gente. A maioria, claro, de militares. Mas tem também Heitor Villa Lobos, o abolicionista Joaquim Nabuco, o diplomata Sérgio de Melo e até as 21 vítimas do lançamento mal sucedido do VLS V03, em 2003, na nossa Alcântara.

Candidato a herói é o que não falta. Mas, pensando bem, talvez seja melhor mesmo que não surja um "grande herói". O tempo dos libertadores já passou. Hoje os mecanismos legais de democracia, justiça, respeito aos dreitos humanos e à liberdade estão aí, construídos com as ação e até o sangue de muitos heróis anônimos ou não. Falta agora a brava gente dar o brado retumbante. (E que seja logo, suspira baixinho o Maranhão...)


Escrito por Lissandra às 22h15
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18/04/2011

 
 

Sobre crianças e livros

Tenho até medo de começar esse texto e não terminar nunca mais. Falar da infância e de livros é como descer de bóia um rio de águas calmas. Quem quer parar? Mas vou tentar não cansar os pobres desavisados que chegarem até aqui...

Hoje, Dia Nacional do Livro Infantil, comecei a listar mentalmente os livros que fizeram a cabeça dos meus filhos (uso "fizeram", ao invés de "fazem", pois agora, mesmo o menor, de 09 anos, não lê mais os infantis - só quer dos juvenis pra lá. Mas isso é uma outra conversa...). Nesta busca, foram surgindo os Ziraldos, as Ruths Rochas, as Ana Marias Machados, os Pedros Bandeiras, os Monteiros Lobatos e as Evas Furnaris da vida... Felizmente, posso dizer que os pequeninos daqui de casa já leram mais que muitos marmanjos que já encontrei por aí, até mesmo em classes de jornalismo (eita!).

Mas, como se cultiva o desejo de ler em uma criança? Aqui vão algumas hipóteses de uma não-especialista:

Primeiro: o velho e batido "exemplo". Criança aprende muito por imitação. Ela quer fazer o que os pais, os outros adultos, ou até mesmo as outras crianças fazem. Repete gestos, às vezes sem nem entender o que está fazendo. Nesse ponto, os daqui se deram bem, pois pode faltar tudo na casa, menos a cena de alguém lendo. Lembro que o Pedro, com 1, 2 anos, só queria ir para a cama com um livro na mão, pois a Mel, com 4, 5 anos, só fazia assim.

Segundo: a contação de histórias. Se eles ainda não sabem ler, como vão se apaixonar pelo mundo mágico escondido por trás de signos incompreensíveis? Só se alguém desvendar pra eles, não é? Então, conte muitas histórias pros seus filhos pequenos! Pode inventar, aumentar e modificar o roteiro, mas conte com o livro aberto, nas mãos, para que eles entendam que aquela narrativa fantástica vem daquele objeto tão especial. E, por favor: conte com emoção, interpretando os personagens (também é uma boa terapia anti-estresse para os pais - eu garanto!).

Por fim: o hábito. Há livros de vinil, pros bem pequeninos brincarem na banheira. Há os de pano, pra levar pra cama, como travesseiro macio. Há os de papelão grosso, que aguentam qualquer tranco e não rasgam mesmo nas mãos dos mais agitados. O que quero dizer é que a hora de dar o primeiro livro às crianças é, sim, quando ainda são bebezinhos.

Repito que essas "dicas" vem de uma experiência bem pessoal, mas posso dizer que deram certo pras bandas de cá.

No fundo, no fundo, gostar de livros também sua dose de metafísica inexplicável. Na minha casa, por exemplo, me esforço, me esforço, mas não lembro de meus pais lendo... Lembro do meu avó debruçado sobre os seus velhos livros de medicina que, pobres coitados, ainda recebiam a culpa pelos problemas de vista que ele tinha. "Ficou assim de tanto ler à luz de lamparina, estudando...", repetia minha avó. Mesmo assim, mesmo sem gostar de ler, sabe-se lá por qual inspiração, meus pais me compravam livros - coleções e mais coleções que, além de servir à minha leitura, enfeitavam as estantes da casa. Além dos infantis, brilhavam as enciclopédias e coleções de clássicos da literatura brasileira e mundial. E assim, fui apresentada a Dostoiévski, Edgar Alan Poe, Machado de Assis e outros das mais diversas estirpes, ainda bem pequena. Bom, tudo tem os seus riscos, não? Aprendi a gostar de ler, mas não escapei de ser maluquinha, maluquinha...

Mas lembro perfeitamente das minhas coleções de criança, dos super clássicos - como Branca de Neve -, aos mais aventureiros, como "As Viagens" de Gulliver ou de Marco Pólo. Lembro dos desenhos (falo sério!) e até de alguns que vinham com um disquinho amarelo - um verdadeiro luxo pro padrão familiar. Mesmo sem o exemplo, tive os livros à disposição e isso fez uma grande diferença. Por isso, defendo que os impostos sobre livros baixem até o quase nada (mas isso também é uma outra história...).

E antes que novas sinapses se formem e eu queira continuar este já longo texto, vou ficando por aqui com uma sugestão aos adultos que por ventura me leiam: leiam hoje um livro infantil. Sempre que cruzo com um aqui nas coisas das crianças e me permito lê-lo, ganho passaporte seguro para alguns instantes de felicidade e magia.

P.S.: Sei que não venho por aqui há quase dois anos... Mas, e daí? Escrevo e pronto!

 

 


Categoria: Arte e Cultura
Escrito por Lissandra às 18h07
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26/06/2009

 
 

A magia do ídolo

Ontem, quando soube da morte de Michael Jackson, estava na companhia dos meus dois filhos – Pedro, de 7 anos, e Melanie, de 11 – e do meu enteado Arthur, de 13. Fiquei surpresa com a comoção das crianças: não nos deixavam tirar a TV da CNN, ligavam para os amigos para falar do acontecido e comentavam, incrédulos, os poucos detalhes até aquele momento conhecidos.

Também fiquei impressionada com a notícia, talvez mais pela surpresa que pela morte em si. Não que não reconheça no cantor a sua importância para a música mundial, mas... Era um artista, distante... E não vejo a morte como o fim da vida.

O que mais me chamou a atenção, de verdade, foi a reação das crianças. O que causava neles aquele sentimento de perda? Tentando descobrir isso, perguntei a Mel se ela conhecia alguma música dele. “Mãe, não me lembro de nenhuma... Mas é o Michael Jackson, mãe!” Na mesma hora, Arthur emendou um “Billie Jean, is not my lover...” e eles começaram a cantarolar, assim como fizeram com as músicas que foram surgindo na telinha. Era como se eles fossem buscar a melodia em algum ponto do inconsciente coletivo. Nem adiantou Ademar, meu companheiro, ensaiar alguns comentários, lamentando o envolvimento do astro pop com situações de pedofilia. Eles continuaram firmes. Hoje mesmo, vendo o Bom Dia Brasil comigo, ao ouvir do apresentador Márcio Gomes que “esse luto também era do Brasil”, Arthur corrigiu: “Esse luto é mundial!”

Penso que, para as crianças, impressiona muito a irreversibilidade da morte. O desaparecimento para sempre, definitivo. Lembro quando contei ao Pedro sobre a morte de um tio muito querido, no ano passado. Apesar da dor, falei com calma e o lembrei que o nosso “Tio Bá” continuava vivo, em outra vida. – “Mas nunca mais vou encontrar com ele, de verdade, mãe?”, – “Não assim como estamos aqui...”, respondi. E ele começou a chorar. Não consolava em nada a minha perspectiva de vida eterna. Para ele, naquele momento, a grande dor, era mesmo a da ausência, da saudade.

Mas, e no caso de Michael Jackson, com quem não convivemos, sobre quem não comentamos e de quem nem ouvimos músicas em nossa casa? Foi Pedro também quem deu a pista. Olhando as notícias com um semblante bem triste, ele virou pra mim e disse: “Ele era um ídolo!”. Eu retruquei que os “ídolos” eram pessoas humanas e que também morriam. E desfilei uma lista de ídolos mortos: Renato Russo, Elvis Presley, Jimmi Hendrix, Raul Seixas, John Lennon, Bob Marley... Ele não se deu por vencido e filosofou: “Por que os ídolos morrem cedo?”.

É isso. A mística e a mágica de um ídolo são insuperáveis. Mesmo para quem não o conhece.

 

* Charge de Cabalau, publicada hoje em O Estado do Maranhão


Categoria: Arte e Cultura
Escrito por Lissandra às 10h05
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22/06/2009

 
 

Duro de assistir

Depois de coisas como Pânico na TV, pensei que a TV brasileira não conseguiria mais ir tão longe em termos de repugnância. Mas hoje é domingo, quase segunda, minha TV está ligada e vejo como me enganei: não há limites para o absurdo televisivo. Pessoas se arrastam no esgoto, metem as mãos nas entranhas de animais mortos, remexem lixo, andam entre cobras e escorpiões com um único objetivo: juntar cédulas espalhadas por todo lado.

 

Estou diante de um reality-show chamado Jogo Duro, produzido pela maior emissora de TV da América Latina. Jogo duro de assistir, diria.

 

“Meu maior problema foi o mau-cheiro”, diz um participante, após uma prova. Na seqüência, o “apresentador” pergunta a outro por que não foi bem-sucedido na catação inusitada: “Ficou com nojinho?” E segue o programa... Nova prova – agora eles enfrentam uma chuva de baratas. Pelo chão: pombos, sapos, ratos e cobras. E todos seguem enfiando notas nos bolsos, dentro das camisas e onde mais puder guardar. “Vou entrar com um espírito de guerreiro nesta última prova”, se empolga um dos finalistas – futuro vencedor. No último bloco, o apresentador começa, cheio de retórica: “E galera...!”.

 

Fico aqui me perguntando o que leva uma TV a produzir algo tão nojento. Dizem por aí que “pesquisas indicam” o gosto do “povo” pela miséria humana. A hipótese é que a felicidade brota quando se descobre que a nossa situação não é a pior de todas – há gente sofrendo mais, graças a Deus! Nunca vi pesquisa assim, por isso continuo duvidando dessa lógica absurda. Então, volta a pergunta: por que uma TV faz algo tão abjeto?

 

Na série perguntas sem respostas, mais dúvidas: fora os que são pegos de surpresa, como eu, alguém assiste algo assim? E se assiste, se sente bem? Será que alguém um dia vai dizer: “Oba, hoje é domingo, dia de ver o povo se arrastar na lama!”.

 

A única pergunta com resposta é a mais óbvia: por que as pessoas participam de programas assim? No programa que acabei de ver, o prêmio final foi algo em torno de R$ 16 mil – quantia que resolve os problemas financeiros de muita gente simples. Na galeria de participantes (vi no site), desfilam porteiros, doméstica, modelos, aposentados, artistas, bailarinos, bancários, microempresários, produtores de eventos e professores de capoeira, de futêvolei, de hidroginástica e de dança do ventre, dentre outros. Simples assim: em um país onde a dignidade das pessoas não é respeitada, qual o problema de se humilhar um pouco mais em troca de alguns reais?

 

A Globo provavelmente diria que estas são críticas infundadas e que o programa é, digamos, educativo. Afinal, as regras do jogo dizem que o último a sair de cada prova será eliminado, bem como o que pegar menos dinheiro. Moral da história: não seja ganancioso, nem lerdo. Percebeu a lição de vida?

 

Então, se você ainda não viu, não veja. Mas se tiver curiosidade, prepare-se: é a degradação humana potencializada. Transforma o homem em um animal rastejante que desce ao último degrau para juntar uma graninha... Exagerei? Então veja com seus próprios olhos no próximo domingo...

 

 

 

* Este é Paulo, barman e ator de teatro de rua, vencedor do Jogo Duro.


Categoria: Falando de mídia
Escrito por Lissandra às 01h32
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10/10/2008

Segue a novela

Fiquei uns dias fora do ar, mas já estou de volta.

Começo atualizando a questão dos Conselhos Tutelares. Como a Prefeitura não atendeu a recomendação de excluir as políticas da infância do contingenciamento de 40% do orçamento, o Ministério Público propôs um Termo de Ajustamento de Conduta. Neste termo, a Prefeitura tem até amanhã, 10/10, para "devolver" os recursos retirados dos conselhos. O descumprimento poderá gerar uma multa de R$ 60 mil por dia para o município. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos...


Escrito por Lissandra às 23h42
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28/09/2008

Onde está a prioridade absoluta?

 

Foi rápida a resposta do Ministério Público Estadual às denúncias formuladas por conselheiros de direitos e tutelares quanto ao funcionamento dos seus respectivos conselhos (veja “Estado de alerta”, abaixo). Documento enviado pelo promotor Márcio Thadeu ao prefeito Tadeu Palácio recomenda que ele deixe de fora do contingenciamento de recursos determinado pelo decreto municipal nº 35.391, de 20 de agosto de 2008, os recursos indispensáveis ao pleno funcionamento de órgãos vinculados à Secretaria Municipal de Assistência (Semcas), integrantes do Sistema de Garantia de Direitos à Crianças e Adolescentes.

 

Dentre estes órgãos estão, em especial, os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), os Conselhos Tutelares, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Conselho Municipal de Assistência Social, os programas de proteção e socialização de crianças e adolescentes, os serviços de acolhimento institucional e familiar, o programa de erradicação do trabalho infantil, o Circo-Escola e os abrigos oficiais.

 

Ficaram de fora do corte as áreas da saúde e educação, mas outras áreas que garantem políticas para crianças e adolescentes, como o funcionamento dos conselhos de direitos e tutelares, foram penalizadas.

 

O prefeito esqueceu, quando decretou o corte, de algo muito importante: o princípio da prioridade absoluta e da proteção integral estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Na prática, uma das coisas que garante esta prioridade é a “destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas à infância e juventude”. Isso significa que políticas para meninos e meninas deveriam ficar de foram de quaisquer contingenciamentos.

 

Além do corte que afronta a lei, outra questão chama a atenção: a real necessidade da medida. O decreto aponta que o objetivo do corte é adequar a disponibilidade de caixa às despesas, inclusive restos a pagar. Entretanto, um parecer técnico elaborado pela Procuradoria Geral de Justiça aponta que a execução financeira da prefeitura está totalmente de acordo com o planejado – e quem diz isso é a própria, através do balancete da Secretaria Municipal de Fazenda até 31 de julho, onde fica claro que, transcorridos 58% do exercício financeiro de 2008, as receitas municipais encontravam-se no nível de 57%. Se tudo está em equilíbrio, pra quê o corte?

 

A recomendação foi feita em 18 de setembro. O prazo pra uma resposta era de dois dias úteis, mas até sexta-feira (26) não havia nenhuma manifestação da Procuradoria Geral do Município, segundo informações dos conselheiros tutelares que se reuniram pra discutir o assunto. Se ela não vier ou for negativa – mantiverem-se os cortes – o promotor Márcio Thadeu deve entrar com uma ação na Justiça.


Escrito por Lissandra às 21h24
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22/09/2008

O que é certo?

 

Recentemente, estive em Lima, no Peru, participando de um seminário latino-americano sobre comunicação. Apresentei um trabalho sobre incidência nos meios de comunicação em defesa dos direitos de crianças e adolescentes – a experiência da Rede Andi Brasil.

 

Além de perguntas sobre meu tema específico, repetidamente tive que falar sobre a realidade de meninos e meninas nas cidades brasileiras. Mas o interessante sobre esses questionamentos é que, em muitas das vezes, não foram motivados pelo trabalho que apresentei - o grande provocador foi nosso cinema nacional.

 

Isso mesmo. Todos querem saber se as crianças brasileiras moram em favelas e, inevitavelmente, se envolvem ou são vítimas da violência do tráfico, como se vê em Cidade de Deus. Ou se são abandonadas pelas suas famílias, como em Central do Brasil.

 

Confesso que ficava em dúvida toda vez que falava sobre isso e, provavelmente, dei respostas diferentes em todas elas. Sim, é verdade que crianças brasileiras empunham armas desde pequenas sob as bênçãos do tráfico. Não, nem todas vivem assim. Sim, muitas moram em favelas ou bairros equivalentes. Não, nem todas estas viram criminosas. Sim, há muitas crianças abandonadas pela família. Sim, há muitas crianças vítimas de toda sorte de violência. Não, sim, sei lá...

 

Bom, seja qual for a resposta, a realidade não é culpa do cinema. Já vi gente criticando o cinema nacional por tratar de forma tão crua temas sociais. “Criam uma imagem deturpada do país no cenário internacional”, dizem alguns. Eu não concordo. Cinema é cinema. Quem cria essa imagem é quem colabora com a corrupção, quem rouba os recursos públicos e deixa as cidades nas mãos de quem demonstra mais força.

 

Hoje vi mais um filme desses: Era uma vez, do Breno Silveira (o mesmo de Dois Filhos de Francisco). A historinha é a de Romeu e Julieta – mas as diferenças aqui são sociais: ela, de Ipanema; ele do Morro do Canta-Galo. Apesar do roteiro bem previsível, é um bom filme, vale a pena assistir.

 

Mas o que me deixou pensativa depois da sessão foi rever cenas da vida de crianças na favela. O personagem central cresce sem pai, vê um irmão ser morto ainda criança por um capricho de um dono do morro, a mãe trabalhar incansavelmente, o irmão mais velho ser preso sem ter culpa, entrar na cadeia honesto e sair bandido formado... Um perfil de menino que todos que trabalham com infância neste país sabem que existe em cada esquina.

 

Numa discussão com a namorada, que chama o irmão de assassino e diz que matar é errado, ele faz a pergunta central do filme: o que é certo?

 

Vejam e tirem suas conclusões...

 


Escrito por Lissandra às 01h01
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20/09/2008

 

Estado de alerta

 

Nossa cidade tem um Prefeito Amigo da Criança, certo? Certo. Em junho deste ano, o prefeito Tadeu Palácio conquistou esse título concedido pela Fundação Abrinq e outros parceiros, repetindo o feito do seu antecessor Jackson Lago – o primeiro a consegui-lo em nossa capital.

 

Tendo um Prefeito com um título desses, nossa cidade tem um ótimo Sistema de Garantia de Direitos à Criança e ao Adolescente, certo? Errado. Pelo menos é o que diz o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) em uma carta/desabafo encaminhada ao Ministério Público Estadual na manhã de hoje.

 

Na carta, o CMDCA relaciona uma série de fatores que vêm dificultando seu trabalho e dos conselhos tutelares. A lista vai desde coisa simples, como a falta de material de expediente e de água para beber; até coisas mais comprometedoras para o trabalho, como a precariedade dos carros e falta de combustível e o bloqueio das ligações para celular. Sem comunicação, transporte e recursos básicos, que trabalho vai conseguir desenvolver?

 

Mas pior mesmo é a situação do Conselho Tutelar da Zona Rural, que acabou de ser criado. Ou quase. Empossados no final de julho, os novos conselheiros ouviram da boca do prefeito que, “A partir dessa posse, iniciamos o funcionamento do Conselho da Zona Rural, que atuará junto a 75 comunidades que compõem área” (palavras registradas no site da prefeitura). Quase dois meses depois, o funcionamento citado pelo prefeito ainda nem de longe é efetivo, aumentando o descrédito da população quanto a esse tipo de serviço. Assim avalia o CMDCA em sua carta. A resposta que encontram quando buscam diversos órgãos da prefeitura é sempre a mesma: “não tem financeiro disponível para pagamento de despesas”.

 

Esta situação não é de hoje. Os conselhos estão sempre na corda bamba, tentando dar conta do seu trabalho sem a estrutura mínima. E que fique bem claro: a lei diz que cabe à prefeitura garantir o seu funcionamento. Por descumprir esta função, inclusive, Tadeu Palácio já responde à ação na Justiça, proposta pelo Ministério Público.

 

Na verdade, para a maioria dos gestores, conselhos fazem parte tão somente do bom e velho teatro da participação democrática: você finge que participa, eu finjo que deixo. Nessa cartilha, a regra número um é: nunca alimente instituições que te fiscalizam. E eles seguem à risca.

 

Lei a carta aqui.

 

Saiba o que é um Conselho Tutelar.


Escrito por Lissandra às 00h45
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15/09/2008

Ponto pacífico

 

Uma coisa já podemos comemorar: se minha observação não falhou, seja qual for o resultado das próximas eleições, a meninada de nossa cidade terá direito à Educação em tempo integral. Pelo menos este é um compromisso presente na plataforma de campanha de todos os candidatos ao cargo de prefeito de São Luís.

 

Que bom, hein? Afinal, é consenso que o tempo destinado à educação em nosso país não é suficiente para a formação crítica e plena de nossas crianças e adolescentes.

 

Na verdade, nosso querido futuro prefeito, seja ele quem for, estará apenas cumprindo do que determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que prevê o aumento progressivo da jornada escolar para o regime de tempo integral.

 

E ele nem vai precisar inventar a roda: experiências de educação em tempo integral não faltam em nosso país. As primeiras surgiram ainda na década de 50 (escolas-classe, na Bahia) e reapareceram nos anos 80 (Cieps, no Rio de Janeiro). Nessas tentativas, somavam-se ao currículo formal atividades diversificadas - esportivas, artísticas e recreativas – que tinham como objetivo promover uma formação integral da criança.

 

Hoje, há propostas isoladas em execução em diversos municípios, algumas com bastante êxito, como a de Tocantinópolis ou as do Procentro, em Pernambuco. Nestes lugares, apesar de metodologias bem diferentes, destacam-se resultados comuns, como o baixo percentual de evasão e repetência e, em contraponto, o bom desempenho nos exames nacionais de avaliação.

 

É claro que há críticas a sistemas educacionais em tempo integral. Alguns acreditam que oferecer este tipo de escola extrapola a missão da educação e interfere em outras áreas, como as da assistência social e da saúde.

 

Por outro lado, há quem veja as políticas públicas de forma integrada. Para esses, cruzar diversos setores sob o guarda-chuva da educação não é um problema. É, antes, uma solução.

 


Escrito por Lissandra às 22h47
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11/09/2008

Propostas e (muitas) desculpas

 

Flávio Dino, Paulo Rios, Welbson Madeira. Estes foram os três candidatos à prefeito de São Luís que atenderam ao convite para participar do Painel de Propostas para a Área da Infância e Adolescência, promovido pelo Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente, Rede Amiga da Criança e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Só os três, dos dez concorrentes, acharam importante discutir com a sociedade suas idéias para esta área.

 

Clodomir Paz tinha confirmado até a tarde do dia anterior. Ontem, quando abri o jornal e não vi o painel em sua agenda, percebi que ele não iria – fato confirmado por sua assessoria, com a alegação de “motivos de saúde”. Pois foi... Mandou uma carta com desculpas e algumas propostas.

 

Castelo, apesar de ter sido convidado há mais de um mês, não conseguiu encaixar uma atividade de duas horas e meia em sua agenda. Fazer o quê, não é? Ele deve ter outras prioridades. Sua assessoria, na véspera, nos disse isto: ele tinha compromissos agendados anteriormente mas, quando estiver na Prefeitura, vai deixar as portas abertas para conversar conosco. Se a agenda permitir, penso eu. Ah, sim: ele também mandou uma carta.

 

Raimundo Cutrim foi confuso. Falei diretamente com ele por telefone, há mais de um mês e meio. Ele disse: “Claro! Tenho muito interesse em participar deste tipo de discussão, pois tenho muitas propostas nesta área”. Depois, com os assessores, apesar de serem muitos gentis e receptivos, não houve agenda que comportasse a atividade. O deputado diz que quer ir e o grupo que decide sua agenda acha que não deve. Fica a questão: se ele não decide nem onde vai estar, vai decidir o quê quando for prefeito?

 

Cléber Verde tinha outros compromissos. Gastão Vieira também. Pedro Fernandes idem. Waldir Maranhão disse que tinha um compromisso em Brasília e perdeu o vôo de volta. Perdeu também a chance de falar sério, ao invés de ficar fazendo aquelas piadinhas bestas em seu programa eleitoral.

 

Fiquei realmente impressionada com a agenda destas pessoas. Com mais de um mês de antecedência ela já estava fechadíssima, sem possibilidades de remanejamento – apesar das “desconfirmações” só virem em cima da hora. A bem da verdade, Cléber Verde foi o único contatado há menos tempo (mas não tão menos), pois os telefones que conseguíamos dele e de sua assessoria nunca eram atendidos. Só uma visita ao seu comitê, na Cohab, reverteu a situação.

 

Na verdade, o que vimos foi a pura estratégia marqueteira se impondo: candidato que (supostamente) está à frente na disputa evita discutir suas idéias com os outros e, por isso, foge aos debates. Os outros, que só têm interesse de debater com o primeiro, desprezam a oportunidade de falar com a sociedade. Na última eleição para prefeito, Castelo só foi por que Tadeu Palácio estava em primeiro e confirmou sua presença, pressionado pela tradição de diálogo com o movimento da infância herdado de Jackson. Este ano, como ele está (?) na frente, achou que era coisa de pouca importância – melhor caminhar nos bairros...

 

Enfim, cada um sabe a melhor estratégia para sua campanha. Mas, na minha humilde opinião, não há desculpas para a não participação, excetuando-se questões de saúde e imprevistos, como os que alegaram Clodomir Paz e Waldir Maranhão (se é que são motivos reais). E, pra ser sincera, acho meio obtuso não falar em um evento convocado por um Fórum que reúne mais de 50 organizações, uma Rede que junta outras 26 e um conselho formado por 16.

 

Mas houve quem aproveitasse. Os três que foram se saíram muito bem. Flávio Dino apresentou propostas bem claras e, aparentemente, bem factíveis. Welbson Madeira e Paulo Rios lembraram questões bem estruturantes da nossa configuração política, que não podem ficar de fora em qualquer reflexão mais aprofundada. Creio que, até o fim da tarde, os pontos centrais do debate estarão disponíveis no site da Agência Matraca, cujo link está aí do lado. Quem quiser pode conferir.


Escrito por Lissandra às 13h46
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10/09/2008

Painel de propostas? Eu não!

 

Quem tem coragem de debater idéias? Na campanha eleitoral, poucos... A maioria prefere monólogos na TV, festivais de propostas elaboradas sem a mínima base de realidade. A fragilidade das propostas é tamanha que fica difícil para seus autores discuti-las com qualquer público mais qualificado. É só assistir ao horário eleitoral pra receber a boa nova: São Luís será a mais moderna, socialmente justa, urbanizada e sustentável capital que o Brasil já viu. Como? “Ah, pergunta besta menina! Isso a gente vê depois...”

 

Hoje, o Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente, a Rede Amiga da Criança e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente promovem um painel de propostas com os candidatos à prefeitura de São Luís. Posso dizer que o público que estará lá é um público que entende da realidade da infância ludovicense, logo, propostas sem-pé-nem-cabeça não convencerão...

 

Bom, mas apesar dos contatos e convites muito antecipados, poucos realmente confirmaram que estarão lá. Castelo, Clodomir, Cutrim, em cima da hora, já disseram que não. Flávio Dino, Waldir Maranhão, Welbson Madeira confirmaram. Vamos ver...

 

Logo mais, as propostas...

 


Escrito por Lissandra às 14h13
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08/09/2008

Medicina, Jornalismo e Bezerra de Menezes

 

Acabo de chegar do cinema. Para mim, o melhor fim de domingo é aquele que tem telona, café com chantili e quietude. E uma boa história para emocionar, claro. Desta vez, foi a vida do médico Bezerra de Menezes que se descortinou à minha frente em um atuação honesta de Carlos Vereza. Filme doce e sem grandes pretensões cinematográficas, com certeza é muito mais uma homenagem que obra-prima da sétima arte. Por isso, não vou comentar o filme, mas o impacto do exemplo deste grande homem no meu humilde fazer jornalístico.

 

Sempre achei que nós, jornalistas, não temos uma profissão comum. Não é uma profissão pela qual se passa impune: marcas profundas modificam a vida de quem se dedica de verdade a ela. Situações muito diversas - boas, difíceis, complexas, gratificantes, surpreendentes, arrasadoras – povoam nosso dia-a-dia.

 

Sempre achei também que o Jornalismo pode mudar o mundo. Pode mudar realidades, cambiar sentimentos, influenciar comportamentos. Fazer do mundo um lugar melhor, enfim. Aliás, sempre pensei ser este o nosso papel: fazer do mundo um lugar melhor, mais pacífico, produtivo, amoroso. A este conceito de Jornalismo sempre se associou, em meu pensar utópico, o sentimento de humanidade quase perdido pela própria. Jornalismo é para respeitar o humano – promover igualdade entre as pessoas e produzir justiça social.

 

Eu não me incomodo de pensar em utopias em um mundo tão pragmático. Sigo concordando com Eduardo Galeano, quando diz que as utopias, mesmo que não cheguem nunca, tem o mérito de nos fazer caminhar. Caminho sempre.

 

É claro que o dia-a-dia nos leva a práticas as mais estranhas a estes ideais. Por isso nos cabe vigiar o caminho e seguir atentos às revoluções possíveis. E estas, com certeza, são as que produzimos em quem nos lê, ouve ou assiste.

 

Esta finalidade do Jornalismo foi uma intuição que carreguei por muito tempo. Por vezes, diante das derrotas, dos frágeis resultados e da oposição de quem não crê, fui tentada a desistir e assumir a postura de quem sobrevive: olhar pro próprio umbigo e tentar manter o mínimo de dignidade. Mas, dignidade não tem mínimo. E, por alguma força iluminada do universo, minha intuição agora é uma certeza: se sou jornalista é por que algo de bom posso fazer ao mundo deste meu lugar!

 

Li há pouco tempo uma das obras clássicas do espiritismo brasileiro, o livro Nosso Lar, escrito pelo espírito André Luís em psicografia de Chico Xavier. Foi a segunda vez que o li, mas, com certeza, foi a primeira em que estava madura para entendê-lo minimamente. Lá, dentre tantos ricos ensinamentos, algo me tocou profundamente: a responsabilidade de assumir as responsabilidades da profissão que abraçamos. Também médico quando em sua vida terrena, André Luís se surpreende ao reconhecer como o exercício competente, mas leviano, da sua profissão, foi uma falta grave para consigo mesmo. É aí que entra o médico Bezerra de Menezes nesta história toda. Ele, ao contrário, viveu plenamente sua responsabilidade de aliviar as dores e curar quem o procurou, mesmo sem dinheiro pra pagar. Sua obra, mais que terrena, o transformou em alguém muito melhor.

 

Penso muito sobre isso. Não virei jornalista por acaso. Sempre quis, desejei, projetei para minha vida esta profissão. Logo, minha intuição/certeza profissional, se transforma agora em um compromisso espiritual: comunicar para transformar. Esta é minha missão.

 


Escrito por Lissandra às 22h29
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Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski


Escrito por Lissandra às 22h23
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